Cuidados na alimentação infantil: da amamentação aos primeiros anos

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Saiba os cuidados na alimentação infantil e como os hábitos alimentares podem influenciar no desenvolvimento de nossos filhos e que algumas mudanças à mesa fazem muita diferença em seu bem-estar!

Cuidados na alimentação infantil: ambientes alimentares

Alimentação saudável não é uma escolha, é um direito! 

O comportamento alimentar de qualquer indivíduo pode sofrer diversas interferências, em especial do ambiente em que estamos inseridos.

Esse ambiente alimentar é definido pelos ambientes físico, econômico, político e sociocultural onde vivemos, estudamos e/ou trabalhamos e que podem afetar a qualidade da alimentação e consequentemente o nosso estado nutricional.

Por isso, em um ambiente que proporciona bons hábitos alimentares, capaz de influenciar no desenvolvimento de um comportamento alimentar saudável, pode inclusive nos prevenir de doenças crônicas não transmissíveis, como a diabetes, hipertensão e obesidade.​

Sendo assim, no Brasil, a obesidade infantil já é considerada uma epidemia. O Ministério da Saúde estimou que em 2021, 6,4 milhões de crianças tenham excesso de peso e 3,1 milhões já são obesas.

Em 2019, crianças acompanhadas no Sistema Único de Saúde (SUS), mostrou que 7% das crianças menores de 5 anos e 13,25% das crianças de 5 a 9 anos, acompanhadas na atenção primária, foram diagnosticadas com obesidade.

Para algumas pessoas isso são apenas números, mas para crianças e adolescentes que vivenciam o estigma da obesidade, trata-se de prejuízos ao seu pleno desenvolvimento físico e emocional.​

Apenas a educação alimentar e nutricional de forma isolada não são suficientes para enfrentar a obesidade infantil, pois não se trata de uma simples questão de escolha individual.

Portanto, trata-se também de ambientes alimentares saudáveis, em especial o ambiente familiar e escolar, que contribuam para o pleno desenvolvimento de nossas crianças e adolescentes.​

Cuidados na alimentação infantil: enfrentar os maus hábitos alimentares

O consumo excessivo de açúcar, gorduras saturadas, processados e ultraprocessados, a propaganda de alimentos não saudáveis direcionadas ao público infantojuvenil e o sedentarismo são alguns dos fatores que preocupam atualmente organizações nacionais e internacionais quanto ao aumento da obesidade.

Sendo assim, principalmente durante a pandemia que houve um aumento vertiginoso dos maus hábitos alimentares e falta de atividade física

Portanto, prevenir e reverter o excesso de peso em crianças e adolescentes é fundamental por vários motivos: ​

Ganhar excesso de peso na infância e na adolescência pode levar ao sobrepeso e à obesidade ao longo da vida; 

O excesso de peso na infância e na adolescência está associado a um maior risco de doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes, hipertensão e a síndrome metabólica;

A obesidade na infância e adolescência tem consequências psicossociais adversas, podendo reduzir o nível de escolaridade;

Crianças e adolescentes são mais suscetíveis ao marketing dos alimentos, tornando necessária a redução da exposição das crianças a alimentos obesogênicos.

Cuidados na alimentação infantil: como devem ser?

0 a 12 meses

A Organização da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) preconiza que o leite materno até os 2 anos de idade deve ser exclusivo até os 6 meses de vida. Não sendo necessário dar outros líquidos como água e chás. O leite materno é único e nutricionalmente completo.

Sendo assim, a amamentação traz benefícios tanto para o bebê quanto para a mãe. A introdução alimentar só deve acontecer a partir do sexto mês de vida da criança e quando está preparada para receber novos alimentos. Lembrando que a introdução alimentar em bebês prematuros inicia quando estão com seis meses de idade gestacional corrigida e deve ser acompanhada por uma equipe multidisciplinar.  

Por isso, aos seis meses, os alimentos devem ser oferecidos separadamente e devem ser bem amassados com um garfo ou raspados. Nunca devem ser liquidificados ou peneirados. Não há nenhuma restrição de frutas, vegetais, tubérculos, leguminosas e proteínas. Dando atenção especial à ingestão de água entre as refeições, para evitar a desidratação, prisão de ventre ou sobrecarga dos rins.

Portanto, essa introdução gradativa dos alimentos deve ser feita após a avaliação do pediatra, que vai orientar com relação aos tipos e quantidade de alimentos que devem ser consumidas pelo bebê.

A partir dos 12 meses

A partir dos 12 meses, o bebê já está liberado a comer a mesma comida que seus familiares. Mas é importante que ainda esteja sendo supervisionada por um adulto responsável.

Com isso, a influência da alimentação da família já começa a ser exercida. Onde é muito comum os pais adequarem também a própria alimentação para oferecer o melhor para os filhos.

Cuidados na alimentação infantil: O que não deve comer?

O Ministério da Saúde (MS) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o bebê não deve comer alimentos industrializados, como chocolates, salsichas, sorvetes, biscoitos, sucos de caixinha ou em pó, refrigerantes ou molhos prontos. O consumo do sal só é liberado a partir dos 12 meses de vida. Açúcar e mel devem ser oferecidos à criança somente após 2 anos de idade. 

Portanto, nesta fase, o paladar do bebê está em desenvolvimento e ele pode se acostumar com o excesso de gordura, o sabor doce ou salgado destes tipos de alimentos. Sendo assim, contribui para um hábito alimentar ruim, que pode causar obesidade ou outros problemas de saúde ainda na infância.

A partir dos 2 anos

Seu filho já está apto a experimentar uma enorme variedade de comidas, e é possível tirar mais proveito das refeições em família para apresentá-lo combinações e gostos diferentes. Mas lembre-se que ele ainda é pequeno e que comerá pequenas porções.

Sendo assim, tenha cuidado com o excesso de sal e de açúcar. A partir de agora, você pode se sentir mais à vontade para dar um bolo feito em casa no lanchinho ou brigadeiro na festa do amigo.

Mas não exagere, privilegie os alimentos feitos em casa, assim você poderá escolher os ingredientes e moderar na quantidade de açúcar e sal.

Portanto, quanto mais comida caseira você oferecer, mais você estará protegendo a saúde do seu filho e consequentemente a do restante da família.

Cuidados na alimentação infantil: comendo com todos

Conforme a criança vai crescendo, ela se esforça mais para agradar e se iguala aos pais. O que pode aumentar a disposição em experimentar coisas novas à mesa. Por isso, é importante o desenvolvimento da educação alimentar de todos, para que o ambiente alimentar proporcione sempre mais saúde.

Continue variando as cores, os sabores e as texturas dos alimentos. E deixe que a criança tenha algum tipo de escolha nos alimentos, mas continue a guiar sua alimentação de forma equilibrada e com limites.

Portanto, escolha não é dizer “você quer comer brócolis?”, mas sim “você prefere brócolis ou couve-flor hoje?”.

E lembre-se: As crianças até os 5 anos de idade tendem a imitar os adultos, então seja um bom exemplo de estilo de vida saudável!

 

Por: Dra. Lara França

Pediatra

CRM/GO: 16767 RQE: 15293

 

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